
Embarcações
Canoa de Tolda
A canoa de tolda é o maior símbolo do rio São Francisco e só existe no Brasil. As toldas originais eram grandes embarcações, mas a brasileira possui somente 16 metros de casco e foi perfeitamente adaptada para descer o rio, a favor do vento, com o pano aberto. É composta de leme, tábua de bolina, moitão e a tolda que servia para abrigo da alimentação e dos canoeiros.
Com os primeiros contatos entre populações locais e gente de além-mar, deu-se início à formação de um conjunto de tradições culturais e conhecimentos tecnológicos específicos do Baixo São Francisco, que culminou nos anos 1940 atingindo parte dos 1960, com o apogeu das grandes canoas de tolda. Estas excepcionais canoas cargueiras foram o último estágio de evolução de uma linhagem de embarcações que buscavam eficiência máxima de navegação no Baixo São Francisco, chegando a ser exportadas para outras regiões do rio.
No início da segunda década do século 20, aportou em Pão de Açúcar a embarcação que seria a referência para a navegação de longo curso entre Penedo e Piranhas: o vapor Comendador Peixoto, adquirido pela Navegação Fluvial do Baixo São Francisco (empresa pertencente ao aglomerado Peixoto Gonçalves, de Penedo) da empresa Mello & Cia, de Belém (PA). Navegou até o final dos anos 60. O Penedinho, o Salvador e outros vapores menores davam prosseguimento às linhas de longo curso fluvial criadas ainda no século 18, percorridas pioneiramente com os vapores Sinimbu e Paulo Afonso até Piranhas, sempre com escala em Pão de Açúcar.
Pão de Açúcar foi e continua sendo um importante porto entreposto nas águas do Velho Chico, com a chegada e partida de embarcações, pessoas e mercadorias. Se antes navegavam embarcações de médio e grande porte, hoje a paisagem do rio é dominada por canoas e pequenas embarcações a motor, além da tradicional balsa que garante a travessia entre Alagoas e Sergipe.
Sumacas, hiates,
patachos e
barcaças
Segundo Manoel Diegues Junior, em Bangüê nas Alagoas, “os rios não eram somente vales férteis, através de cujas margens os canaviais gostosamente se estendiam, como se estendem ainda hoje; eram também os caminhos, por onde canoas ou barcaças navegavam, fazendo o comércio do açúcar.”
Sociocultural
Rute Barbosa - Canoa de tolda

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